Ele acordou cedo, disposto a
enfrentar seu sofrimento, afinal, não estava acostumado a desistir. Lavou o
rosto, escovou os dentes, deixou a barba por fazer e subiu até a sacada [era um
dia daqueles de brisa gelada, dos que ele era apaixonado]. Lá de cima ele
avistou o dia nascendo, levou um cigarro do maço à boca e acendeu-o, sabia que
aquilo não era bom, mas também sabia de muitas coisas que o faziam continuar. Ele
se prendeu, se prendeu na liberdade. Passou dias tão livres que se culpa até
hoje por não ter alcançado aquele sucesso. Entretanto aquilo era passado, não
havia mais motivos para choramingar pelos cantos como fazia em tempos de
outrora. O dia estava nascendo, para o mundo e para ele.
Um
jovem lutador, isso é inquestionável. Já avançou por tantos lados, já criou
tantas expectativas, já buscou tantos objetivos, porém sempre que se via diante
do gol, algo o impedia de concluir. De tanto isso acontecer ele se agarrou a
uma meta: recomeçar todos os dias, fazer planos em curto prazo buscando um só
objetivo, ser feliz! Se o que fez ontem não o agradou, ele simplesmente
descarta e procura outro caminho, outro sabor. Não é ingratidão, ele não
substitui pessoas da sua rotina, ele substitui coisas, objetos, trajetos e palavras.
Ele não fica mais insistindo em algo porque é bonito ou porque todo mundo faz.
Decidiu pagar o preço por pertencer a si mesmo.
Tem
um charme de gentlman que o faz conquistar corações sem perceber. Tem o mundo em
suas mãos, disso ele sabe, mas decidiu viver na sua. Cuidar das próprias rosas,
pelo menos por hora. Mesmo estando apto a concluir sua antiga meta, recatou-se
ao cargo de aprendiz, novamente.
Hoje
ele enfrenta as dificuldades diárias com mais “maturidade”, sabe lidar com
situações adversas. O único medo que traz, é de não saber lidar com seu próprio
coração, a parte mais sensível e pura que tem. A necessidade de sentimentos o
envolve a cada suspirar. Um dia, a aurora do amor voltará a nascer para seus
olhos.
Voltando
àquele dia, àquela sacada, quando seu cigarro estava perto do fim ele notou
algo diferente naquele amanhecer, o céu estava mais alaranjado que a manhã anterior.
Aquilo o deixou feliz e pensou: “Ah se houvesse alguém notasse minhas
diferenças e minhas belezas todas as manhãs como eu noto as do céu.”. Entrou,
tomou seu banho e seu café, e partiu para o dia.
Ele
sofre, ele se retém, ele se desgasta, mas ele pensa, ele se restitui, ele EXSURGI
e RECOMEÇA todas as manhãs, porque para ele, viver ultrapassa qualquer
entendimento.
Achei que a frase combinaria com o texto: “Bendito
quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia
1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não
continua, mas apenas recomeça..."(Mário Quintana)
Nenhum comentário:
Postar um comentário