terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

"Meu caminho é cada manhã."

        Ele acordou cedo, disposto a enfrentar seu sofrimento, afinal, não estava acostumado a desistir. Lavou o rosto, escovou os dentes, deixou a barba por fazer e subiu até a sacada [era um dia daqueles de brisa gelada, dos que ele era apaixonado]. Lá de cima ele avistou o dia nascendo, levou um cigarro do maço à boca e acendeu-o, sabia que aquilo não era bom, mas também sabia de muitas coisas que o faziam continuar. Ele se prendeu, se prendeu na liberdade. Passou dias tão livres que se culpa até hoje por não ter alcançado aquele sucesso. Entretanto aquilo era passado, não havia mais motivos para choramingar pelos cantos como fazia em tempos de outrora. O dia estava nascendo, para o mundo e para ele.
            Um jovem lutador, isso é inquestionável. Já avançou por tantos lados, já criou tantas expectativas, já buscou tantos objetivos, porém sempre que se via diante do gol, algo o impedia de concluir. De tanto isso acontecer ele se agarrou a uma meta: recomeçar todos os dias, fazer planos em curto prazo buscando um só objetivo, ser feliz! Se o que fez ontem não o agradou, ele simplesmente descarta e procura outro caminho, outro sabor. Não é ingratidão, ele não substitui pessoas da sua rotina, ele substitui coisas, objetos, trajetos e palavras. Ele não fica mais insistindo em algo porque é bonito ou porque todo mundo faz. Decidiu pagar o preço por pertencer a si mesmo.
            Tem um charme de gentlman que o faz conquistar corações sem perceber. Tem o mundo em suas mãos, disso ele sabe, mas decidiu viver na sua. Cuidar das próprias rosas, pelo menos por hora. Mesmo estando apto a concluir sua antiga meta, recatou-se ao cargo de aprendiz, novamente.
            Hoje ele enfrenta as dificuldades diárias com mais “maturidade”, sabe lidar com situações adversas. O único medo que traz, é de não saber lidar com seu próprio coração, a parte mais sensível e pura que tem. A necessidade de sentimentos o envolve a cada suspirar. Um dia, a aurora do amor voltará a nascer para seus olhos.
            Voltando àquele dia, àquela sacada, quando seu cigarro estava perto do fim ele notou algo diferente naquele amanhecer, o céu estava mais alaranjado que a manhã anterior. Aquilo o deixou feliz e pensou: “Ah se houvesse alguém notasse minhas diferenças e minhas belezas todas as manhãs como eu noto as do céu.”. Entrou, tomou seu banho e seu café, e partiu para o dia.

            Ele sofre, ele se retém, ele se desgasta, mas ele pensa, ele se restitui, ele EXSURGI e RECOMEÇA todas as manhãs, porque para ele, viver ultrapassa qualquer entendimento.


Achei que a frase combinaria com o texto: “Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..."(Mário Quintana)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Aquele doce sorriso.

            É difícil de imaginar alguém que acorde entre quatro e meia às cinco da manhã com uma disposição como aquela, normalmente as pessoas se arrastam para o trabalho, para a aula, para o dia. Eu já me arrastei, mas ela não. E vai conversando sobre o trabalho e sobre a faculdade com uma alegria expressa no brilha dos olhos.
            Na simplicidade das palavras percebi, mais uma vez, que não estou sozinho no caminho dos “de bem com a vida”, no caminho daqueles que tentam fazer cada dia ser o melhor dia da vida, dos que fazem a dificuldade ser motivação para algo melhor. Dos que entendem que a vida não é um mar de rosas, mas que também não é um deserto de espinhos. [Contribuição literária de um amigo e chara]
            Faz pouco mais de duas semanas que uma moça começou a pegar a mesma linha de ônibus que eu uso, e pra ser sincero, aquele doce sorriso tem alegrado minhas manhãs no trajeto do serviço. Não é paixão, é admiração. Como Joseph Addison disse, “o sol é para as flores o que os sorrisos são para a humanidade”, e o sorriso dela foi o que alimentou minha emoção em duas ou três manhãs que acordei triste.
            Isso que ela fez para mim [sem saber] é o que eu sempre procurei/procuro fazer. Nós nunca sabemos o que acontece com os outros, cada um tem sua história. Ser feliz nas coisas pequenas faz toda a diferença, e ser feliz reconhecendo a felicidade alheia, além de ser um gesto de humildade, é uma emoção autêntica.
            Venho criando coragem para falar com ela, confesso que já tive algumas oportunidades, mas fiquei com receio do que ela pensaria. De segunda-feira não passa, afinal, preciso ao menos parabenizá-la pela alegria matinal extraordinária que ela tem.

            Meu recado para hoje é: PRESENTEIE O MUNDO COM SORRISOS! Eles farão você e o ambiente que o cerca mais feliz.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Extático, extrapolado, exsuflação, extensivo, exsurgir.

            Não sei, acordei tão animado hoje que decidi procurar palavras como essas [que começam com “ex”] porque me lembrei de quando era extremamente extrovertido. É incrível como existe tantas palavras que desconhecemos o significado, palavras tão ricas que deveriam ser usadas no dia a dia e que acabam se extinguindo da rotina. Hoje algumas situações encaixaram perfeitamente com essas palavras.
            Fiquei extático, quando acordei, olhei o dia nascendo e sem explicação alguma meu ego inflou e como num passe de mágica minha percepção do dia mudou, minha auto estima aumentou e naquele momento eu soube que meu dia seria diferente e o melhor, só dependeria de mim. Meu estado de êxtase foi tanto que minha motivação cresceu, e as preocupações que trouxe comigo do dia anterior, viraram impulso para o hoje. Muita gente procura essa sensação envolvendo a química (drogas em geral), eu não, hoje não. Hoje foi mais questão de física e força de vontade. Isso é extraordinário.
            Extrapolado, pelo sentido literal da palavra, é quando passamos nossos próprios limites. E a situação “passar dos limites” não é encontrada só nas coisas grandes e travessas, é também avanços em coisas pequenas. Hoje, por exemplo, dei bom dia pela primeira vez a uma moça que faz parte da minha rotina, não a conheço, mas a vejo todos os dias. Gesto pequeno pra quem vê, mas para mim foi diferente. Por que não quebrar os paradigmas que nos impedem de ter empatia?
            Exsuflação, confesso que essa é nova e já vou adaptá-la nos meus textos acadêmicos. Exsuflação é nada mais nada menos que expressar nossos sentimentos, é “expulsar algo do meio interno para o meio externo”, Quando percebi que acordei feliz, fiz questão de sorrir, de olhar nos olhos, de cantar e demonstrar minha felicidade. Muita gente diz que não devemos gritar aos ventos nossas alegrias, eu discordo, e se alguém por anda por aí esperando por um sorriso? E se alguém não acredita mais na felicidade? Por que não fazê-la [mesmo que indiretamente] ver que a alegria ainda existe? Se você é forte, você consegue ser feliz com a alegria alheia.
            Incrível foi quando senti que aquele “simples” nascer do Sol era extensivo e alcançou minhas outras emoções, está se aplicando no meu dia. O desejo de ser alguém bom cresceu, o amor pela engenharia voltou ao máximo, o entusiasmo para trabalhar também se restabeleceu. Lindo.
            E com todas essas coisas acontecendo antes das nove horas da manhã, eu exsurgi, ou seja, eu levantei novamente, eu ergui todos os alicerces de um dia de conquistas. Se conseguir fazer isso ao menos cinco vezes por semana, tenho certeza que terei uma vida de sucesso.

            Não sou Sherlock Holmes, mas consegui dentro dos detalhes enxergar a beleza da vida. Estou na correria nas últimas semanas, comecei a faculdade, voltei de férias no trabalho. Acabo ficando sem tempo para escrever textos como esse, mas hoje não pude deixar passar. E meu recado? Meu recado é simples: QUEBRE OS PARADIGMAS DA SUA VIDA! Acredite, ame, sorria, tenha esperança, saiba reconhecer as coisas que acontecem por acaso. A felicidade é algo que pode passar despercebida se você não se atentar a ela.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sussurro da madrugada: seja livre.



         Sem criatividade, voltando à rotina, o cansaço começa a ser grande, a correria volta a tomar conta de tudo e a gente luta para não sermos detentos da falsa crença de estarmos livres. Porque é fato que não somos totalmente livres, visto que estamos rodeados de pessoas, e nem todas elas vão se alegrar com nossas conquistas. Não somos livres com isso, nossos sonhos são aprisionados com os olhares dessas pessoas, mas não desistir é o melhor caminho.
Hoje em dia temos horário para tudo, hora de acordar, de entrar no ônibus, de bater ponto no escritório, de almoçar, hora do café, hora de voltar a casa, de entrar na universidade [nesse caso o cansaço é tanto que não vemos a hora de ir embora]. Ou seja, isso é ser livre? Ser livre é estar com o corpo em casa e a mente no compromisso do dia seguinte na empresa? Ser livre é andar na rua com medo do julgamento alheio? Ser livre é viver de status? Não, não é!
Em minha opinião ser livre vai muito além de não ter alguém de fora cobrando o que fazer ou não fazer. Ser livre é ser capaz de controlar seu próprio ego, é ser dócil com seus pensamentos, é saber lidar com a opinião alheia. Ser livre é amar o saber e ter consciência que nunca saberemos de tudo, e que sempre há algo novo a se aprender. Ser livre é amar a vida como ela é.
Liberdade é sorriso no rosto, olho no olho, aperto de mão firme, sem preconceito. Liberdade é gostar do que faz, é trabalhar se divertindo. Ser livre é sonhar e fazer o possível para a rotina não entrar numa fase de conformismo. Liberdade é ter opinião, é ter certeza que somos capazes. Ser livre é ser feliz, é acordar e dormir feliz.
Lutar contra a falsa liberdade e não desistir do amor, ainda são os melhores caminhos para sermos pessoas boas. Eu sonho todos os dias com a minha verdadeira liberdade, sonhos todos os dias com um amor que me traga esperança, que me traga companhia. Ser livre é ser lindo por si só, é brilhar com sua própria essência de forma espontânea. Seja livre! Não dependa de nada além de você para ser feliz.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A você que se perdeu na escuridão.

          Menina criativa, reverente, amável aos meus olhos, quase difícil de encontrar, e eu a encontrei. Faço das tuas palavras as minhas. Há muito eu também me perdi no meio da realidade, sonhava com o amor que tive [e que se perdeu], sonhava com um mundo cheio de harmonia e encontrei a correria, distribuía sorrisos espontâneos, olhares puros e sinceros [coisas que ainda faço, mas com menos frequência], lutava pra que todos ao meu redor se sentissem bem. Sempre fui curioso e cuidadoso.
          Guardei uma frase da Cora Coralina comigo ”Nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas” e desde que me entendo por gente lutei para sempre alcançar o coração das pessoas. Meu lema é ”o importante é o sorriso”, por isso sempre busquei dar o meu melhor sorriso a todos, até pra quem eu não conhecia. E fiz, tracei um objetivo e o vivi, mas antes que ele acabasse eu adormeci e quando acordei vi meus sonhos perdidos. Vi a garota que havia prometido amor a mim se distanciando, vi que apesar do mundo ser lindo, alguma coisa fria habitava no coração de muitos. Perdi alguém importante, meu avô faleceu. Nunca recebi um carinho paterno tão bem quanto recebia dele, então estive sem chão. Senti como se meus olhos se fechassem para os sonhos, para o amor, para a fé. Brigava dias e noites com meu ego. Assassinava minha alma noite e dia com meus pensamentos destrutivos, de fato, eu não queria mais viver.
          Estava rodeado de pessoas, porém ninguém conseguia enxergar um ao outro, ou se conseguiam, não se cativavam por medo. De repente, alcançar o coração se tornou algo tão difícil, sorrir espontaneamente ficou complicado, fiquei sem fome, sem sede. E mesmo assim, não desisti! Não desisti porque não fazia sentido tudo o que estava acontecendo, eu não podia ter perdido tudo o que construí, me perguntava se tudo que havia feito foi por água abaixo tão depressa e não, não tinha ido, eu resolvi acreditar, acreditar sem ver e ir em frente, de coração partido, porém em frente. Foi quando li esta outra frase: “O mais terrível não é termos um coração partido (pois corações foram feitos para serem partidos), mas sim transformar nossos corações em pedra.” Decidi mais uma vez não transformar meu coração em pedra.
          Perdi muito tempo sofrendo por dores do passado sem me tocar que o passado nada mais é do que experiência, o que deve ser diferente é o presente. Então decidi [novamente] ir. Sempre tive Deus como um amigo, não podia negar-lhe a amizade logo nessa fase. Sou uma pessoa diferente sim, mas nunca perdi minha essência. Meus preceitos são bons, minhas intenções são boas. Tracei uma nova meta para minha vida. Reconstruí meu desejo de sonhar só pela força de vontade e por DECIDIR SER FORTE.
          Agora chega de falar de mim, vamos falar de você. Há uns cinco meses eu comecei a me sentir sozinho afetivamente, pedia para Deus todas as noites no silêncio do meu quarto que me desse à oportunidade de conhecer uma garota que tivesse vivido coisas parecidas com as minhas, que tivesse gostos semelhantes aos meus, que tivesse inteligência, que soubesse se expressar e que não fosse fútil, enfim, pedia a Deus que me desse alguém para conversar, alguém para eu amar. Então, sem mais nem menos, depois de muito pedir, você entrou na minha vida. Quem poderia imaginar, eu me apaixonei por você sem nem mesmo te ver pessoalmente, somente pelo seu jeito de escrever, pelos seus gostos, pelo seu sorriso, seu olhar, seus ideais e seus objetivos. Há pouco mais de um mês meu coração pulsa mais forte.
          No seu texto, você disse que desistiu da ideia de amar e da esperança e eu, Gabriel, te peço senhorita que NÃO DESISTA, decida acreditar que para tudo há um recomeço e acredite que o amor é a luz de todas as fontes. Se não acreditarmos no amor, as coisas não terão o mesmo sentido. Ter esperança e amar é tudo e ser amado(a) por alguém é melhor ainda. Decida acreditar, tudo é possível para quem crê! Não vejo a hora de te conhecer.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Viva os Momentos

          A nossa realidade de ser humano é transitória, é por isso que é bela. Veja o pôr-do-Sol, veja o quão belo ele é e preste atenção no tempo que ele fica visível. Acho que se não fosse passageiro não teria a nossa mesma atenção. Temos que aproveitar cada instante dos nossos dias, tudo o que acontece vale a pena ser vivido. Se é pra doer, que doa, se é pra chorar, que chore, se é pra rir, que ria, se é pra amar, que ame, mas VIVA! Viva as fases da sua vida, viva suas emoções, vivas seus sentimentos. Se tivéssemos uma vida inerte, parada, acabaríamos entrando num precipício de conformismo e ai sim tudo iria por água abaixo!!

Erros, as Curvas da Vida.

Olhei para a garota e disse:
 Cada vez mais acredito menos em erros.
Ela, espantada, perguntou:
– Como assim Gabe?
Continuei:
– Certa vez ouvi uma pessoa dizer que não acreditava que erros existissem. Para ela, eles eram curvas, eram parte do trajeto, parte inevitável. Porque o erro, geralmente é tido por defeito e ela não o via como uma coisa ruim, então não acreditava que ele existisse da forma como era, o chamava de "parte do caminho" [que soa mais bonito]. – A cada palavra minha a garota se interessava mais pelo assunto. Continuei – Andei pensando nisso nos últimos meses, e vi que realmente, se eu não tivesse cometido nenhum "erro" até hoje, minha vida não estaria como está. Hoje sinto-me forte, determinado, guerreiro, experiente e esperançoso [apesar de tudo]. Se não fossem esses erros que cometi [a curva que enfrentei] eu não estaria aqui, não teria conhecido grandes pessoas, não teria a oportunidade de recomeçar do zero com os sonhos. – Nesse instante ela parou e fitou o centro dos meus olhos, pude sentir a compreensão dela enquanto eu findava o assunto. – “Imagine a sua vida como um caminho e que o destino é ser o que fomos designados para ser, é claro que se fosse linha reta seria mais fácil, mas pense nas curvas, pense em quando se enganou com algo e aquilo te levou a fazer outra coisa, isso não seria o mesmo que fazer uma curva e continuar a trilha? Ir em frente é o correto. Agora, traço minhas metas e objetivos, sabendo que o meu caminho é feito por calçadas curvas e retas, erros e acertos. Estou, de fato, começando a concordar que erros não existem.
Ela sorriu, e disse em tom surpreendido e contente: 
– “É, realmente, a vida não teria graça alguma se não fosse à arte de aprender e reaprender com as experiências.”

domingo, 26 de janeiro de 2014

Como você está Gabriel?

            Certamente ela quis saber, de uma forma amigável, se estou bem ou mal, mas aquela pergunta, aos meus ouvidos, se tornou difícil de responder. Meus pensamentos voaram para longe e comecei a refletir sobre como realmente estou, sobre como serei, sobre como fui, sobre como tenho saudade de ser e me vi perdido naquele instante. Não sabia se respondia como eu fui de manhã logo que acordei, ou se falava como estive enquanto preparava o almoço.
De fato, um turbilhão de pensamentos invadiu minha mente. Lembrei-me de quando ainda era criança que só queria brincar e faltava à companhia ideal, mas isso não fazia diferença na época, meus cachorros eram a companhia certa naquele momento, caso contrário, eles não estariam ali.
Aquelas lembranças foram torturando meu ego tão rapidamente, como o tempo, que voou sem que eu percebesse que a criança brincalhona se transformou num adolescente preocupado em ser notado, e não esquecido pelos colegas de escola. Minha preocupação virou objetivo. Em pouco mais de quatro anos me tornei conhecido, procurado, o “Gap”, ainda sonhador e ingênuo, apesar das companhias. Meu nível de status havia subido, e muito. Sempre estive com mais de duas pessoas ao redor, pensava que seria assim sempre, pensava...
No ano seguinte, problemas de saúde me forçaram a mudar de pensamento e de rotina, me afastei [ou se afastaram, não sei ainda quem se afastou] dos meus antigos “colegas” e restaram os verdadeiros amigos. E foi nesse ano, que tomei a decisão da vida, mudar de cidade, e fui. Para longe. Aquela criança brincalhona, o adolescente preocupado agora é o rapaz sonhador.
Enquanto a pergunta ainda ecoava pelos ouvidos, pensei em responder que estou com saudade das manhãs e noites geladas daquela cidade, pois desde que voltei, há quase dois anos, meu coração não pulsou mais como pulsava ao sentir aquelas brisas frias, mas não respondi, ela não merecia ser vítima dos meus ataques de arrependimento. Ah como eu amo o frio...
A verdade é que eu queria ser ouvido, quis falar sobre minhas preocupações, minhas decepções, meus afetos e meus sonhos, minhas reconstruções e minhas conquistas, mas ela não queria saber disso [ou se queria eu não sei, estava perturbado demais para distinguir].
Para ser mais positivo pensei em dizer simplesmente que estou esperançoso com o início de 2014, feliz com essa maneira divertida que tenho de ver a vida e ansioso com as aulas na faculdade, mas... Mas tive medo, medo de onde essa conversa poderia me levar, eu não queria que isso parecesse uma fuga do passado, o que provavelmente iria parecer [mesmo não sendo] se a próxima pergunta fosse: “Por que você se interessou por Engenharia?”. A resposta ficaria meio vaga: “Oras, não existe um motivo racional para eu me interessar por algo, sou um sonhador, alguém apaixonado pelo novo, pelo que encanta!”. Se ela tivesse um bom senso crítico, perceberia a essência da vida nesse trecho: “(...) apaixonado pelo novo, pelo que encanta!”. Afinal de contas, a vida é um eterno recomeço. Uma constante mudança. Então por que não nos apaixonar pelo novo todos os dias?
Enfim, com esse tumulto de memórias indo e vindo, a pergunta soando nos meus ouvidos, a mistura de sentimentos invadindo meu coração, o medo do questionamento referente à minha maneira apaixonada de viver, fizeram-me, naquele momento, naquele lugar, naquele olhar dizer apenas: “Bem, eu estou bem”!